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"Aqueles que nos deixaram não estão ausentes, mas invisíveis. Têm seus olhos cheios de glória, fixos nos nossos, cheios de lágrima"

Santo Agostinho

A família Agostiniana faz parte da grande família Cristã, iniciada com Cristo e sustentada por tantos fiéis ao logo de mais de dois milênios.

A família Agostiniana, iniciada por santo Agostinho,
vive sua concreta vertente Recoleta desde 1588.
 
 

Todos os anos, em todas as casas da Ordem,
são celebrados três aniversários gerais pelos que já partiram para o Pai:

  • primeiro, pelos familiares e parentes falecidos dos religiosos;
  • segundo, pelos benfeitores falecidos, e
  • terceiro, por todos os irmãos e irmãs falecidos da Ordem.

Código Adicional 95 das Constituições da Ordem dos Agostinianos Recoletos

Ao recordarmos hoje nossos familiares falecidos, manifestando nossa fé na ressurreição dos mortos e na comunhão dos santos, reflitamos as comovedoras palavras de Santo Agostinho ao narrar a morte de Mônica, sua mãe:

Texto para reflexão:

Das Confissões
de Nosso Pai Santo Agostinho

[...] Cerca de cinco dias mais tarde, ou pouco mais, [após o êxtase de Óstia], caiu [Mônica] de cama com febre. Durante a doença, teve um dia de desmaio, ficando por pouco tempo sem sentidos e sem reconhecer os presentes. Acudimos de imediato e logo voltou a si.

Vendo-nos a seu lado, a mim e a meu irmão, perguntou-nos, como quem proucura algo: "Onde estava eu?". - Depois, vendo-nos atônitos de tristeza, nos disse: "Sepultareis aqui vossa mãe". - Eu me calava, retendo as lágrimas, mas meu irmão disse umas palavras em que desejava vê-la morrer na pátria e não em terras distantes.

Ao ouvi-lo, minha mãe repreendeu-o com o olhar, e aflita por ter pensado em tais coisas; depois, olhando para mim, disse: "Vê o que ele diz". - E depois para ambos: "Sepultem este corpo em qualquer lugar, e não se preocupem mais com ele. Peço apenas que se lembrem de mim diante do altar do Senhor, onde quer que estejam". - E tendo-nos exposto seus pensamentos com as palavras que pôde, calou-se; sua modéstia agravou-se e suas dores aumentaram.

[...] Soube também depois que em Óstia, estando eu ausente, falou certo dia com alguns amigos meus, com maternal confiança, sobre o desprezo desta vida e o benefício da morte. Eles, maravilhados da coragem dessa mulher - dádiva tua - perguntaram-lhe se não temia deixar o corpo tão longe da pátria. "Nada está longe para Deus - disse ela - nem preciso temer que ele ignore, no fim dos tempos, o lugar onde me ressuscitará".

Por fim, nove dias após cair enferma, aos cinqüenta e seis anos de sua idade e aos trinta e três da minha, aquela alma santa e piedosa libertou-se do corpo.

Fechei-lhe os olhos, e uma tristeza imensa invadiu-me o coração, e já me ia desfazer em lágrimas; ao mesmo tempo, meus olhos, obedecendo ao enérgico poder de minha vontade, fechavam sua fonte até secá-la. Como foi angustiante essa luta! E foi quando ela deu o último suspiro, que meu filho Adeodato rebentou em soluços; mas, instados por todos nós, se calou.

Deste modo sua voz juvenil, voz do coração, calou em mim essa espécie de emoção pueril que me provocava o pranto. De fato, não julgávamos correto celebrar aquele funeral com lástimas e choros, pois tais demonstrações deploram geralmente o triste destino dos que morrem, ou sua total extinção.

A morte de minha mãe não era uma desgraça, e ela não morria para sempre, e disto estávamos certos pelo testemunho de seus costumes, por sua fé sincera e outras razões inequívocas.

[...] Quando o corpo foi levado à sepultura, fui e voltei sem derramar uma lágrima. Nem mesmo nas orações que te fizemos, quando oferecemos o sacrifício de nossa redenção por intenção da morta ..., nem mesmo nessas orações chorei. Mas durante todo o dia andei oprimido por grande tristeza interior...

[...] Depois, pouco a pouco, voltava aos sentimentos de antes sobre tua serva. Recordava de sua piedade para contigo, de sua solicitude e paciência comigo, da qual subitamente me via privado. E senti consolação em chorar diante de ti, por causa dela e por ela, e por minha causa e por mim. E deixei que as lágrimas reprimidas corressem à vontado, estendendo-as como um leito reparador sob meu coração. Teus ouvidos eram os que ali me escutavam...

[...] Que ela repouse em paz com seu marido, antes e depois do qual não teve outro; a quem serviu, com uma paciência cujo fruto te oferecia, para o ganhar também para ti. Mas inspira, meu Senhor e meu Deus, inspira a teus servos, meus irmãos, a teus filhos, meu senhores, a quem sirvo de coração, com a palavra e com a pena, para que, ao lerem estas páginas, diante do teu altar lembrem de Mônica, tua serva, e de Patrício, outrora seu esposo, pelos quais me introduzistes misteriosamente nesta vida.

Que lembrem com piedoso afeto daqueles que foram meus pais nesta vida transitória, e meus irmãos em ti, ó Pai, na Igreja Católica, nossa mãe, e meus concidadãos na eterna Jerusalém, pela qual suspira de teu povo em sua peregrinação desde a saída até o regresso.

Assim graças ás minhas confissões, o último desejo de Mônica será mais amplamente satisfeito com muitas orações do que só pelas minhas.

. . . . .

Oração: Ó Deus, que perdoais os homens e desejais salvá-los, concedei aos nossos familiares e parentes que partiram deste mundo, participar da vida eterna por intercessão da Virgem Maria e de todos os santos.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.


O "êxtase
de Óstia":
ainda em vida,
santa Mônica
e seu filho
santo
Agostinho
vivem a
realidade da
vida eterna.
.

Ruinas em
Óstia,
porto da
Antiga Roma.




Santa
Mônica,
rogai
por
todos
nós!
.

Santa Mônica
derramou
muitas
lágrimas
até a
conversão
de seu filho.
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Ordem dos Agostinianos Recoletos, Província Santa Rita de Cássia  © 2004