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Entusiasta dos ensinamentos e discípulo do ideal monástico de Santo Agostinho, Fulgêncio era devoto especialmente do ideal "uma só alma e um só coração dirigidos para Deus".

Conhecido popularmente como Agostinho Abreviado, ele se sentiu chamado à vida religiosa depois de ter lido um comentário, de Santo Agostinho, sobre o Salmo 36.

São Fulgência de Ruspe: um agostiniano de corpo e alma.
 

Fábio Cláudio Gordiano Fulgêncio nasceu numa rica família cristã em Thelepte, na atual Tunísia (Norte da África), no ano 462. Seu pai era um senador romano e a mãe era de uma família local influente.

Fulgêncio teve uma formação intelectual excelente. De caráter firme, espírito de liderança e habilidade para os negócios, na juventude se destacou na administração dos bens da família, o que o levou a ocupar altos postos no setor público.

Muito culto e educado, Fulgêncio interessava-se tanto pela religião quanto pelas artes e literatura. Freqüentava um mosteiro vizinho onde orava com os monges e vasculhava sua biblioteca. Os biógrafos afirmam que após ler os comentários de Santo Agostinho sobre o Salmo 36, decidiu-se pela vida de austeridade e de solidão.

A África Romana (Norte da África) do seu tempo era o reino dos Vassalos, o que vale dizer que os arianos dominavam e os católicos eram súditos.

O ariansimo é a doutrina de Ário, famoso heresiarca de Alexandria (280-336). Ele pregava que Cristo era uma criatura de natureza intermediária entre a divindade e a humanidade.

A convivência era difícil. O rei Trasamundo havia recomeçado as perseguições aos cristãos. Fulgêncio tentou ir para o Egito ao encontro dos monges do deserto, mas o navio que o transportava teve de ancorar em Siracusa, onde as notícias dos conflitos da igreja egípcia o fizeram desistir. Em 500 foi a vez de Roma decepcioná-lo. Na época era governada por Teodorico e os cristãos também estavam submissos. Ele então voltou para a África.

Foi na sua pátria que Fulgêncio se ordenou sacerdote. Em 510, o rei que desejava a extinção total da Igreja proibiu que houvesse sucessores para os bispos falecidos. Mas os cristãos os elegeram em segredo e um deles foi Fulgêncio, designado para a diocese de Ruspe, na atual Tunísia. O rei soube do acontecido e mandou exilar todos os sessenta na ilha italiana da Sardenha, que pertencia aos seus domínios. Pelo menos lá os cristãos viviam em paz.

No mosteiro do exílio, Fulgêncio se tornou professor dos bispos, padres, monges, e conselheiro e pacificador entre a população. Tornou-se, dentro da sua humildade, um líder, uma figura que nem mesmo o rei podia ignorar. De fato, o rei mandou que ele fosse para a capital, onde o deixou livre para o ministério sacerdotal e pedindo que o ajudasse no esclarecimento das questões de fé. Ou seja, o rei respeitava muito Fulgêncio. Tanto que o mandou de volta para a Sardenha, só que desta vez para acalmar os súditos arianos radicais.

Durante os anos que ali permaneceu ele escreveu muito. Além de tratados religiosos, manteve uma vasta correspondência com seus discípulos e superiores, bem como com as maiores autoridades da Igreja de então.

Só quando o rei morreu Fulgêncio pôde retornar para sua pátria e sua sede episcopal em Ruspe. Foi recebido em triunfo, reorganizou a diocese e estabeleceu a ordem e a disciplina.

Morreu no início de janeiro de 533, aos sessenta e oito anos, pregando a caridade como "o caminho que conduz ao céu".

Fulgêncio ultivou intensamente a doutrina agostiniana, como se deduz de suas obras. Sua vida monástica ajusta-se, em linhas gerais, à mentalidade e ao estilo de vida de Santo Agostinho.

Ele foi chamado, com razão, "Agostinho Abreviado". Amou profundamente a vida de comunidade e a comunhão de vida. Não conseguira viver senão rodeado de monges. Por isso fundou vários mosteiros, tanto em sua pátria como no exílio. A Ordem celebra seu culto pelo menos desde 1581.

O Concílio Vaticano II, no decreto sobre a atividade missionária da Igreja, faz menção ao pensamento de São Fulgêncio expresso em uma carta ao rei Trasamundo.

Este Santo, comemorado anteriormente no dia 12 de janeiro, continua ensinando através dos séculos. A Igreja determinou a festa de São Fulgêncio para o dia de sua morte.
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São Fulgêncio
nasceu no que
é hoje Tunis,
a capital da
Túnísia (2).

Não muito distante
de onde nasceu
o próprio
Santo Agostinho
(atual Argélio - 3),
São Fulgêncio
viveu também,
como santo
Agostinho,
na Itália (1)
.

Ruspe era uma
cidade na
atual Tunísia.


Os atuais países:
Egito (3),
Tunísia (2)
e Itália (1)
.

Siracusa fica no
extremo
sudoeste
da ilha
Sicília (c)
.
Sardenha (d)
é outra ilha
que pertence
à Itália.

Alexandria (b)
foi uma das
cidades mais
importantes da
antigüidade.
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Ruinas
em Túnis.

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Fulgêncio cultivou
intensamente
a doutrina de
Santo
Agostinho,
amando
intensamente
a vida comunitária.

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Exorto aos presbíteros que estão entre vós, eu, presbítero como eles, testemunha dos sofrimentos de Cristo e participantes da glória que será revelada: Sede pastores do rebanho de Deus, confiado a vós; cuidai dele, não por coação, mas de coração generoso; não por torpe ganância, mas livremente; não como dominadores daqueles que vos foram confiados, mas antes, como modelos do rebanho. Assim, quando aparecer o pastor supremo, recebereis a coroa permanente da glória.

(1 Pd 5,1-4)

 

Senhor Deus, que nos destes em São Fulgêncio um ilustre sustentáculo da fé e um ardente propagador da vida religiosa, concedei-nos, apoiados em seu exemplo e intercessão, incentivar, com viva fé entre os irmãos, o espírito de unidade e de paz.

Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

Foi no século IV que se deu o início da vida monástica, principalmente no Egito e na Palestina.

Desde o começo do cristianismo alguns homens muito religiosos buscavam chegar a um grau de perfeição maior e a uma união com Deus mais intensa. Buscavam esse caminho por meio da solidão, penitência e oração.

Depois da perseguição de Décio muitos cristãos se refugiaram no deserto de Tebaida, no Egito. Eles levavam uma vida de solidão, silêncio e sem nenhuma regra em comum. Eles receberam o nome de Anacoretas ou Solitários. Os mais célebres foram São Paulo de Tebas e Santo Antônio Abade. Este último é chamado de o Pai dos Monges. Ele se retirou ao deserto depois de ter repartido seus bens entre os mais pobres.

Da vida anacoreta ou solitária se desenvolveu a vida cenobita ou comunitária. Quer dizer, a vida em comum sob a autoridade de um superior. Foi são Pacômio, pagão convertido, quem fundou Tabbena, primeiro mosteiro no qual os monges praticavam uma mesma regra na vida comunitária. São Basílio, um dos Padres da Igreja, foi quem propagou a vida monástica no oriente e escreveu novas regras que foram adotadas por todos os mosteiros gregos, cuja regra principal era obediência ao superior.

A vida monástica passou do oriente ao ocidente por meio de Santo Atanásio. Seus principais pregadores na África, Itália e outras partes da Europa, foram alguns Padres da Igreja como santo Ambrósio, Santo Agostinho, São Hilário e São Martinho de Tours. São Honorato, que foi bispo de Arles, edificou no ano 410 em uma ilha, um célebre mosteiro do qual saíram numerosos bispos.

Finalmente a causa do monaquismo se viu prejudicada por algumas exagerações no ocidente. Para acabar com tais exageros, São Bento Abade fundou em Montecasino o ordem e a regra beneditina, cujo lema é "Ora et Labora" (ora e trabalha). O grande difusor desta regra foi o Papa São Gregório Magno. Ela foi adotada em quase todos os mosteiros do ocidente.

Os Beneditinos preenchem a história da primeira época da idade média. Eles foram os missionários que evangelizaram os bárbaros, foram os educadores da Europa e suas escolas foram modelos de cultura intelectual. Enquanto alguns se consagraram na transcrição de manuscritos ou composição de livros piedosos e crônicas da história, outros se consagraram na criação de aldeias agrícolas e na construção de represas e canais para irrigação. Esses monges chegaram a ser mestres da agricultura, da indústria e da ciência.

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