Texto
elaborado para uma reflexão na
Paroquia Santa Mônica,
no bairro Pirituba, em São Paulo - Capital,
por ocasião da novena de preparação para
a Festa de Santa Mônica.
O Tema - "MÔNICA A INTERCESSORA DO CHAMADO" -
foi proposto pela comunidade da paróquia.
Liturgia
do dia:
Juizes
2, 11 19: “Apresenta a fidelidade divina à aliança
e a infidelidade do povo, que precisa repensar a caminhada.”
Salmo
106-105: “Lembrai-vos de nós, ó Senhor, segundo
o amor para com vosso povo!”
Evangelho
Mateus 19, 16-22: “Jesus alerta sobre o perigo das riquezas
e nos convida a deixar de lado tudo o que impede o seguimento dele.”
reflexão:
M Ô N I C A ,
A INTERCESSORA DO CHAMADO
Hoje sabemos
que as mães sofrem com os extravios de seus filhos e maridos. Não
de maneira diferente Santa Mônica derramou muitas lágrimas
por seu filho Agostinho, que apesar de ter recebido uma educação
católica, havia se tornado uma ovelha desgarrada.
Mas como
a exemplo dos textos que nos foram propostos hoje pela liturgia, Mônica
rogava incessantemente a Deus por seu filho e por seu marido. Vendendo
seus “tesouros”: o orgulho, a impaciência, a falta de
fé, o egoísmo, e assumindo uma postura orante de seguidora
fiel de Cristo - sabia que “aquilo que se pede com uma fé
verdadeira, com intenções retas, será seguramente
atendido por Deus”.
Ela entendeu
bem o que era preciso fazer para sustentar um lar, o que para muitas outras
mulheres de ontem e de hoje seria de uma frustração enorme:
um marido infiel em um contexto onde os esposos agrediam suas esposas,
e de um filho completamente perdido pelas paixões que o mundo oferecia.
O mesmo Agostinho
apontará, nas Confissões, as virtudes de sua mãe,
virtudes estas que com toda certeza levaram Santa Mônica a dar graças
a Deus por ter visto no final de sua vida a graça alcançada
por meio de suas orações incessantes: um esposo e um filho
convertidos.
Orações
fervorosas que expressavam claramente a fé de Mônica, nAquele
que tudo pode. E que com certeza levou Mônica a recitar no fim de
sua vida terrena, a exemplo de Maria, o hino de exaltação
pelas maravilhas do Senhor, mesmo que não tenha sido com as mesmas
palavras. Cremos que em seu coração ela sim o recitou: “O
Senhor fez em mim maravilhas e santo é o seu nome.”
Isso porque
descobrimos na própria experiência de fé de Mônica
as virtudes que nos levam a descobrir esta mulher como a intercessora
ao chamado que Deus fez a seu filho Agostinho para ser seu pastor e conduzir
a suas ovelhas para o sendeiro da Salvação: de ontem, tempo
de Agostinho, de hoje, por meio de sua doutrina e os de amanhã,
que seguirão alimentando-se desta espiritualidade agostiniana.
Sendo assim,
cremos que o testemunho de vida de Santa Mônica continua a falar
para nós no dia de hoje. Principalmente para as mães que
sofrem por seus filhos desviados do bom caminho, pois Mônica soube:
- Procurar a Deus por saber que tudo de bom provêm de sua infinita
misericórdia.
- Que devemos escutar sempre a Deus, até mesmo nas dificuldades
do dia a dia.
- Termos em nossas vidas uma postura de acolher toda a vontade de Deus,
mesmo que não a entendamos de imediato.
- Que em meios as dificuldades devemos descobrir a presença de
Deus e viver seu plano de salvação.
- que mesmo num contexto de família desfeita, desviada, etc.,
nos é possível construir uma família de amor.
Mas
o que queremos destacar mesmo para o dia de hoje é: a atitude orante,
assídua, com lágrimas, juntamente com a virtude da paciência
e da esperança na graça que se daria na vida de Mônica,
Agostinho e Patrício. Mônica entendia muito bem, e vivia,
que o centro do que fundamenta, anima e sustenta uma família é
o AMOR.
Por isso
suportou tudo em sua vida matrimonial, porque esperava de Deus sua graça,
mas essa espera era uma espera ativa, por isso pedia incessantemente pela
conversão de seu esposo e de seu filho.
De uma família
de um esposo pagão e de um filho desgarrado, Mônica, por
meio de sua intercessão orante, logrou no final de sua vida gozar
de um marido convertido e de um filho convertido e servo do Senhor.
Será
o mesmo Agostinho em suas Confissões que nos conta as
angústias que sua mãe sofria por ver seu filho desviado
da Verdade.
Uma vez em
direção espiritual, nos narra Agostinho, sua mãe
perguntava a um bispo o que deveria fazer, pois seu filho já se
havia desviado de Deus. O bispo respondeu: “Deixe-o ficar onde está.
Limite-se a rezar por ele a Deus... Vai em paz e continua a viver assim,
porque é impossível que pereça o filho de tantas
lágrimas.” (Cf. Conf. III, 12.)
Foi realmente
o fruto da perseverança, da paciência e da fé de Mônica
que nos leva a crer que de tanto chorar e rezar a Deus pela sua família,
especialmente por seu filho, é que levou Agostinho, por graça
de Deus, a se converte e tornar-se um grande servo na messe do Senhor.
Uma santa
tão atual como Mônica ecoa positivamente numa sociedade onde
encontramos tantas “mônicas” sofrendo por seus filhos:
drogados, extraviados, beberrões, ateus, etc. É isso que nos
ensinará a virtude de pedir a Deus por meio de orações
assíduas e verdadeiras, o desejo de que um dia possamos ver também
realizados em nossa família o fundamento do amor para que possasmos,
como a exemplo de Maria e Mônica, também dizer:
A minha alma engrandece ao Senhor, que fez em mim maravilhas
e Santo é o seu nome, e o seu amor dura de geração
em geração sobre aquele que os respeitam. Glória
ao Pai, e ao Filho, e ao Espírito Santo.
Frei
José Alexandre de Matos
Província Santa Rita de Cássia
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