Santo
Alípio e São Possídio quase não aparecem na
História. Eles estão como que ofuscados pelo esplendor do
grande doutor e batalhador da Igreja, Santo Agostinho.
Ambos
são contemporâneos e procedem do mesmo lugar, a África
romana, ou seja, a faixa no norte do continente africano que os romanos
haviam consquistado, impondo sua cultura e modo de vida.
Ambos
participaram, pois, da mesma cultura e se verão envolvidos nos
mesmos acontecimentos históricos. Mais especificamente, os dois
vão viver e desenvolver seu ministério na Numídia,
a província correspondente ao antigo reino que passou à
história como um dos inimigos lendários de Roma. De fato,
ali, na Numídia, se manterá sempre um espírito nacionalista
e anti-romano muito forte. Eles nasceram onde é a atual Argélia,
em sua parte oriental.
Por
fim, os dois foram monges e bispos. Monges animados pelo espírito
de Santo Agostinho, em cujo mosteiro eles se formaram e cuja obra continuaram,
dirigindo outros mosteiros. E foram bispos entregues à causa da
renovação eclesiástica que preconizava o Bispo de
Hipona, Santo Agostinho.
Alípio
e Possídio serão as mãos de Santo Agostinho em seus
trabalhos mais árduos e comprometidos. Quem nos fornece os dados
sobre estes dois personagens é o próprio Agostinho. O relacionamento
entre eles era muito profundo e ia além das responsabilidades com
o povo de Deus.
Companheiros
e amigos íntimos - principalmente Alípio -, do grande Santo
Agostinho e participantes de suas lutas e inquietudes - e cada um com
suas próprias peculiaridades - acompanham o mestre durante suas
vidas.
Alípio,
o amigo inseparável e confidente, homem reto e puro, está
com ele no ápice de sua crise existencial e o acompanha, quase
passo a passo, na trajetória da conversão; Possídio,
o discípulo silencioso, o acompanha "mais de longe",
mas sem perder um sequer de seus passos. Ele será o biógrafo
de Santo Agostinho. Talvez por isso fica sempre em segundo plano, para
que a luz do mestre possa brilhar com toda a sua intensidade.
Vivendo
e convivendo com Agostinho, o acompanham na vida monacal, nos estudos,
na contemplação e nas primeiras comunidades de Tagaste e
Hipona. Serão homens notáveis, saídos desses mosteiros
para dirigir outras tantas igrejas da Numídia. Alípio, sagrado
bispo de Tagaste antes de Santo Agostinho ser o bispo de Hipona, e Possídio
bispo de Calama, local que lhe foi destinado para substituir o Bispo Megálio,
aquele que ordenara bispo a Santo Agostinho.
A
partir daí, cada qual segue seu próprio destino, dedicando-se
às tarefas e responsabilidades do pastoreio da parcela que lhes
foi encomendada na conturbada Igreja africana. Isto, porém, nnão
os separa do grande mestre, antes se sentem cada vez mais unidos, somando
esforços e multiplicando iniciativas para resolver os problemas
não só das igrejas a eles encomendadas, como também
de outras que procuravam suas luzes e sua colaboração.
A
grandeza destes dois santos e bispos extraordinários é reconhecida
pela Igreja que os celebra juntos, no mesmo dia: 16 de maio. Atitude justificável,
não só por terem eles muito em comum, mas também por
terem passado suas existências vivenciando o ideal de Santo Agostinho:
Uma só alma
e um só coração
dirigidos para Deus.
.
. .
A
área circulada
no mapa abaixo
mostra a principal
região que fez parte da vida dos Santos Agostinho, Alípio
e Possídio.
Atualmente,
esta área
corresponde
à Itália
(na Europa),
Argélia e Tunísia
(no norte da África).
.
. . O
império romano
chegou a englobar
quase toda
a Europa, parte
da Ásia Menor
e toda a costa
mediterrânea
do norte da África,
historicamente
reconhecida como África romana.
. . .
Este mapa mostra
três províncias
da Áfria romana
nos tempos de
Agostinho,
Alípio e
Possídio:
Ambos
prestaram serviços inestimáveis à Igreja do Norte da
África
e impulsionaram as comunidades monásticas de Santo Agostinho.
A Ordem celebra o culto destes dois santos desde 1671.
Esta concessão foi confirmada por Clemente X em 19 de agosto de 1672.
Alípio
nasceu em Tagaste (hoje Souk Ahras, na atual Argélia), uma cidade
na província romana da Numídia, no norte da África.
Alípio
conheceu Agostinho quando este foi seu professor. Pertencente a uma família
aristocrática e rica, pôde ter uma formação
marcante.
Alípio
e Agostinho, depois que se conheceram na escola em Cartago, iniciaram
uma amizade que os acompanharia por toda a vida. Eles se tornaram companheiros
e amigos desde a juventude até a hora que a morte os separou.
Agostinho
conseguiu livrar seu amigo Alípio de um gosto verdadeiramente macabro
que ele tinha com as tentações dos jogos violentos das arenas
e o encaminhou para o precioso tesouro de uma vida correta.
Com
Santo Agostinho Alípio partilhou os erros da juventude, a conversão,
a vida religiosa nas comunidades monacais e as fadigas do apostolado. Agostinho
o chama
irmão de meu coração.
Santo
Agostinho descreve-o como uma pessoa sensível, de índole
religiosa, de grande inteireza e imparcialidade por seu amor à
justiça. Alípio lutou contra corrupções e
injustiças, até o ponto de enfrentar-se com alguns senadores
e quase ser perseguido por eles.
Depois
de ter estudado Direito em Roma, Alípio se tornou um profissional
muito exigente no cumprimento de seu dever. Mais tarde ele renunciou ao
seu ofício para poder ir para Milão e dedicar-se ao projeto
de formar uma comunidade monacal junto com Agostinho e alguns amigos de
ambos.
Alípio
e Agostinho lutaram juntos em busca da verdade. Juntos eles se converteram
e juntos foram batizados por Santo Ambrósio, bispo de Milão.
Depois
de batizados, os amigos retornaram à África onde Alípio
ajudou Agostinho a estabelecer o primeiro mosteiro no norte da África,
na cidade natal deles: Tagaste.
Quando
Agostinho foi, mais tarde, eleito sacerdote em Hipona, Alípio mudou
com ele e tornou-se membro da primeira comunidade monástica que
Agostinho lá fundou.
Em
394 Alípio é sagrado bispo de Tagaste. Alípio foi
escolhido bispo de sua cidade natal em torno de 394, antes mesmo que Santo
Agostinho fosse nomeado bispo de Hipona.
Seguiu
os passos do amigo Agostinho também quando, já bispo, defendeu
os valores Católicos - tão ameaçados na época
- e se tornou o sucessor de Agostinho na responsabilidade pela comunidade
de Tagaste.
Ele
chegou a viajar para o oriente para resolver certas dificuldade e lá
conviveu com São Jerônimo.
Alípio
morreu, provavelmente, em 430, no mesmo ano que Santo Agostinho faleceu.
Papa
Clemente X
Os
relacionamentos de Possídio com Santo Agostinho parece terem começado
nos primeiros tempos da fundação do mosteiro de homens em
Hipona, onde Possídio abraçou a vida de comunidade.
Discípulo
de Agostinho, também chegaria ao episcopado. Eles se conheceram,
provavelmente, por volta de 391.
Possídio
foi o primeiro biógrafo de Santo Agostinho e declara em sua obra
que
vivi com ele em suave familiaridade
durante quase 40 anos.
Seus
escritos, especialmente seu Vita Augustini (autorizada por Agostinho)
e Indiculus são obras fundamentais para conhecer Agostinho:
Vita Augustini (= Vida de Agostinho) é a primeira
biografia escrita sobre Santo Agostinho e Indiculus (= Índice)
é um uma lista de todas as obras escritas pelo amigo. Possídio
classifica os escritos de Agostinho em obras, espístolas e sermões.
Possídio
conhecia muito bem a biblioteca de Agostinho em Hipona e sempre esteve
muito próximo dele. Próximo também no coração,
já que Possídio apoiava Agostinho em todas as dificuldades.
Foi
nomeado bispo de Calama (hoje, Guelma, na Argélia), por volta de
397. Ele imediatamente organizou seu própria comunidade de sacerdotes
centrada na Catedral nos moldes da comunidade de Santo Agostinho. Isto
é, ele estabeleceu um monsteiro em Calama.
Calama
estava infestada de facções contrárias ao Catolicismo.
Para
defender a vida eclesiástica viajou duas vezes à Itália.
Precisou
defender sua vida, também. Em 408 ele quase perdeu a vida num distúrbio
que os pagãos levantaram em Calama. Em 409 ele foi um dos 4 bispos
que foram à Itália para obter proteção do
imperador.
Com
Agostinho e Alípio, participou dos concílios da África.
Entre os seis escolhidos por 266 bispos Católicos para participarem
numa famosa conferência de católicos e seus opositores, os
três estavam presentes. O Concílio foi em Cartago (hoje,
Túnis, na Tunísia) no ano 411.
Quando
Calama foi invadida e saqueada e caiu nas mãos dos inimigos, Possídio
foi se refugiar com Santo Agostinho em Hipona.
E, quando Agostinho estava doente, com febre e já esperando a morte,
Possidio estava a seu lado.
Pouco
depois os bispos católicos foram expulsos do norte da África
e exilados. Possídio foi um deles.
As
datas precisas de seu nascimento e de sua morte são desconhecidas.
Possídio morreu por volta de 437.
Este
desenho
está no
Convento dos
Agostinianos
Recoletos
de Marcilia,
na Espanha.
No
retângulo
de borda
branca,
a região do
norte da África
em que os
3 santos viveram. (ampliado
abaixo com
os nomes
das cidades
mais
importantes)
1-
Hipona
2- Calama
3- Tagaste
4- Cargago
.
Ruínas
de Calama
.
Roma
foi
saqueada
em 410.
A chegada
dos Vândalos
no norte
da África
em 428 marca
o fim da
África Romana.
Calama
sucumbiu
em 429 e
Hipona foi
queimada
em 431.
Lembrai-vos
de vossos dirigentes, que vos preparam a palavra de Deus, e considerando
o fim da vida, imitai-lhes a fé. Jesus Cristo é o mesmo,
ontem e hoje e por toda a eternidade. Não vos deixeis enganar
por qualquer doutrina estranha.
II
(Primeira
Carta de Pedro 5, 1-4)
Exorto
aos presbíteros que estão entre vós, eu, presbítero
como eles, testemunha dos sofrimentos de Cristo e participantes da glória
que será revelada: Sede pastores do rebanho de Deus, confiado
a vós; cuidai dele, não por coação, mas
de coração generoso; não por torpe ganância,
mas livremente; não como dominadores daqueles que vos foram confiados,
mas antes, como modelos do rebanho. Assim, quando aparecer o pastor
supremo, recebereis a coroa permanente da glória.
I
Deus,
que fizestes os bispos Alípio e Possídio, unidos fraternalmente
a Santo Agostinho, defensores da verdade e propagadores da vida comum;
concedei-nos que, de tal modo sejamos livres na verdade e servos no
amor, e permaneçamos fiéis em vosso serviço e em
nossa vocação.
Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito
Santo.
Amém.
II
Nós
vos agradecemos, Senhor, por conceder-nos nos Santos Alípio e
Possídio um modelo perfeito de fidelidade ao Evangelho, à
Igreja e ao Pastorio do Povo de Deus. Nós vos pedimos por sua
intecessão, conceder-nos viver, com alegria nosso testemunho
cristão e aumentar nosso ardente amor em total disponibilidade
à serviço dos irmãos.
Por nosso Senhor Jesus Cristo, na unidade do Espírito Santo.
Amém.